As leis do trabalho no Brasil são vistas como excessivamente protetoras, sempre favoráveis aos empregados. O assunto merece mais análise.A legislação brasileira afirma que o empregador pode punir o trabalhador que descumpre seu contrato. Mas, ao mesmo tempo, deixa de dizer que tipo de punição o empregador pode utilizar.
Em que circunstância de fato deve ser aplicada uma advertência ou a suspensão do contrato? Faltar um dia implica falta leve, grave ou média? E dois dias? E três?
A lei nada diz, e abre-se espaço para o exercício arbitrário do poder que a lei concede. Também para eventuais abusos dos empregados.
Essa lacuna normativa produz efeitos perversos em um contexto como o nosso, marcado por relações sociais hierárquicas. Ora, o contrato de trabalho não é um instrumento para separar inferiores de superiores. Contratos são celebrados entre iguais.
Sem o trabalho das duas partes, o capitalismo não funciona.
O poder disciplinar do empregador pode e deve ser usado só para garantir a boa execução do trabalho.A atuação da Justiça é crucial para barrar práticas abusivas. Não faz muito tempo, a violência doméstica era vista como problema só do casal. Hoje há leis claras que punem esse tipo de violência.
Da mesma forma, a relação cotidiana entre empregado e empregador ficava fora do alcance da Justiça.Mas as coisas não funcionam mais assim. A colher do Judiciário tem alcançado tais relações. O poder disciplinar do empregador precisa sair da idade das trevas.
(*) é pesquisador do Cebrap, professor e editor da Revista Direito GV, mestre em direito pela USP e doutor em filosofia pela Unicamp.
Fonte: Folha de São Paulo, por José Rodrigo Rodriguez, 17.02.2011
Site: http://www.granadeiro.adv.br/
Prezados usuários, esse espaço foi criado com intuito de sanar dúvidas no que tange aos seus direitos trabalhistas. Aqui vocês poderão entender melhor quais são os procedimentos adotados pela sua empresa no caso de uma eventual dispensa (demissão); como foi calculada sua rescisão de contrato de trabalho e outras eventualidades que geralmente surgem na vida profissional. Estejam à vontade para questionarem, argumentarem e decidirem! Sejam bem-vindos! Dra Giane Gonelo Andrade
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